Working Hands
Coleção fotográfica
FOTOGRAFIA
as mãos no centro do universo produtivo
Testemunhos silenciosos de mãos que trabalham, moldam, servem e curam. Mãos calejadas ou delicadas, captadas na oportunidade do momento, com edição mínima e sem que a identidade dos sujeitos seja condição. Mãos que contam histórias.
Esta coleção já existia quando nasceu.
A certa altura percebi que o tema me interessava há muito tempo, sem que o trabalhasse de forma sistemática. A ideia de certas profissões ligadas à atividade manual tenderem a desaparecer fez-me querer estar mais próximo delas, fotografando-as.
A questão que se impôs e que veio a estabelecer as regras do jogo foi simples de formular, mas profunda na resposta: como quero fazer isso?
Sei que fotografar alguém no exercício da sua atividade, com o seu conhecimento e consentimento, será sempre uma interferência.
Quero, ainda assim, limitar esse efeito ao máximo. Quero que as fotografias sejam tiradas no ambiente mais natural e espontâneo possível, sempre que possível sem aviso prévio, usando a luz existente mesmo com sacrifício da qualidade técnica.
O aviso prévio, quando necessário, pode influenciar detalhes fundamentais como a maneira de vestir dos fotografados, e quero evitar exatamente isso.
Não me deixarei limitar por restrições técnicas: a falta de máquina fotográfica quando disponho apenas de um smartphone, a falta de espaço ou condições para maior diversidade de ângulos, nada disso constituirá um obstáculo.
Sacrificarei todas as questões técnicas em prol da imagem, desde que esta tenha o mínimo de qualidade.
A oportunidade é tudo. Muitas destas oportunidades ocorreram ou ocorrerão em situações em que a fotografia não é o objetivo de ali estar, como acontece frequentemente no meu trabalho em turismo: dois minutos, os meios disponíveis no momento, sem possibilidade de regresso.
É a partir destas circunstâncias que esta coleção se constrói, como uma curadoria paciente do que o acaso foi oferecendo.
A identificação dos sujeitos não é fator primordial; quando acontece, é um acrescento, não uma condição.
As imagens falam primeiro pelas mãos. A edição será mantida em níveis mínimos, preservando o que a luz e o momento souberam fazer.
Tal como no passado vimos desaparecer profissões que só tinham razão de ser num certo momento da história, também agora desaparecerão profissões que no futuro deixarão de fazer sentido.
Carpinteiros, oleiros, agricultores, empregados de mesa e tantos outros enfrentam o espectro da substituição. Quando esse dia chegar, que vestígios restarão dessas mãos e dos seus frutos?
As mãos tornam realidade o que a alma criou.
O que antes habitava o reino do imaginário torna-se palpável à força de apertos, carícias e toques. Materializa-se o que era invisível.
A mestria, fruto de anos, de persistência incansável e de entrega absoluta, transforma o trabalho em arte.
Diante do avanço do mundo digital, da impressão tridimensional, da industrialização e face ao advento da produção em pequena escala, interrogo-me sobre o futuro da criação manual e sobre o valor que a sociedade atribuirá àqueles que, com as mãos, fazem acontecer.
Nesta coleção encontramos testemunhos silenciosos no dramatismo das mãos calejadas ou na delicadeza ilusória das mãos de um massagista.
São mãos que trabalham, que moldam, que servem, que curam. Mãos que contam histórias.





