Vale do Douro
Fotografias
FOTOGRAFIA
Vale do Douro, Viagem Interior
Uma viagem lenta e sensível pelo Vale do Douro, guiada pela literatura, pela autenticidade dos lugares e onde encontrei um refúgio fora do tempo.
Comecei a visitar o Vale do Douro com alguma frequência por volta de 2008. Pelo menos, é dessa altura que datam as minhas primeiras fotografias da região.
Contudo, o fascínio pelo Douro já se fazia sentir muito antes, através da leitura de A Cidade e as Serras.
Esta obra, que muitos de nós conhecemos como leitura obrigatória no ensino secundário, tornou-se para mim um verdadeiro refúgio. Quando a vida aperta e sinto necessidade de me ausentar da realidade, recorro frequentemente àquele universo, através da releitura demorada do livro.
Há algo naquele romance, na forma como Eça de Queirós pinta os cenários com a sua pena, com que me identifico profundamente. Curiosamente, esse imaginário continua presente na região, se soubermos onde e como o procurar.
Mas atenção: não se revela de forma óbvia.
Não o encontro nos cruzeiros que hoje se multiplicam no Douro, nem nas provas de vinho apressadas ou nas visitas improvisadas a antigas quintas agora formatadas para turistas. Para realmente sentir o Douro profundo, é preciso ir com outro espírito e disposição.
A primeira sugestão é, claro, alguma leitura. Incluo aqui o próprio Eça ou outros autores que exploraram o tempo e o espaço com semelhante sensibilidade.
A segunda: viajar devagar.
Em vez de querer visitar trinta locais num fim de semana, prefiro explorar menos lugares, mas com mais profundidade, idealmente ao longo de quinze dias, ou mais.
E por fim, ir com o espírito aberto e permitir-se absorver a cultura local.
Como todos os lugares, o Vale do Douro tem as suas particularidades, e algumas podem até parecer ilógicas ao visitante. No entanto, esses detalhes fazem parte de um todo que, com o tempo, acaba por fazer sentido.
O Douro não é um lugar onde me sinta “em casa”, é algo diferente. É como viver num universo paralelo, ou numa viagem no tempo.
Costumo dividir o Vale do Douro em três zonas bem distintas: o Douro Transmontano, o Douro Vinhateiro e o Douro da Comunidade Intermunicipal do Tâmega e Sousa.
Vale a pena estar atento a estas diferenças e apreciar o que cada região tem para oferecer.
Não me sinto qualificado para comentar a qualidade excecional dos vinhos que aqui se produzem — felizmente, há vozes muito mais autorizadas que o fazem melhor do que eu.
O que reconheço no Douro é uma elegância própria, muito clara quando se visita algumas das quintas históricas da região. É uma sofisticação autêntica, marcada por um ambiente de burguesia rural, cujos modos de vida se mantiveram preservados até hoje.
Existe modernidade? Claro que sim.
Modernidade como ruptura com o passado, mas também modernidade como continuidade e reinvenção de valores tradicionais.
Esta galeria fotográfica é composta, maioritariamente, por imagens captadas em contexto de trabalho: enquanto guia turístico, a conduzir grupos em caminhadas por entre as vinhas, em visitas a quintas vinícolas e noutras experiências que o Douro proporciona.