Procurei uma estrela
Uma meditação sobre os que partiram, as estrelas e onde os procuramos.
Depois da ceia farta, respondi ao chamamento urgente do cadeirão forrado com uma manta de Reguengos. Ao relento, a noite fria de inverno abençoa-me com a profunda escuridão do céu alentejano.
Enquanto a lua se renova, infinitos pontos de luz preenchem o céu.
Sem razão que conheça, fixo-me no cintilar hipnotizante de uma estrela.
Quem és tu?
A pergunta sai-me tão naturalmente que não a chego a reconhecer como minha.
Sem resposta que apareça com a mesma naturalidade que a pergunta, sinto-me cativo de outro astro. Talvez outra estrela.
Quem és tu?
A pergunta persiste, mas agora aparecem respostas. Sim, no plural porque são nomes em catadupa.
Serás Augusta? Serás Bitim? Serás Mário?
O céu tem tantas estrelas e nele procuro os amigos e familiares que ascenderam à plenitude de astro-guia.
Como saberei onde procurar? E, um dia mais tarde, como me irão encontrar?
Não sei, ninguém sabe.
David Monteiro