Posições ambíguas
Há situações que nos colocam em posições ambíguas, em conflito com os nossos princípios, e que nos levam a questionar as nossas fidelidades.
Há um tipo de situações que me despertam um interesse profundo: as situações que colocam o mais comum mortal em posições ambíguas.
A minha curiosidade incide sobre como essa pessoa irá resolver os seus conflitos internos e quais os seus comportamentos perante a situação ambígua, tanto no calor do momento, movida pelo instinto, como após ter tido tempo para refletir.
Para que o tema não seja demasiado vago, passo a dar um exemplo.
Num país onde a pena por roubo é o corte de um braço, um pai soube que o filho roubou um artigo de luxo. Irá depender do testemunho do pai o filho ser julgado culpado ou não.
Vamos colocar à parte o facto de o testemunho do pai ser ou não válido e demais procedimentos legais potencialmente em vigor neste país e centremo-nos só na situação em si.
O pai encontra-se numa situação ambígua.
Para ser correto perante a lei deverá dizer a verdade e o filho irá ser castigado. Mas o seu sentido de pai leva-o a defender o filho e, assim sendo, terá que mentir para que o filho não seja punido.
Seja qual for a decisão de testemunho do pai, o próprio não se irá sentir bem porque ou terá que mentir ou não conseguirá defender o filho.
Talvez em caso semelhante, não me fosse difícil carregar com o peso de uma decisão, considerando que qualquer uma das decisões teria um peso associado.
Mas, se variarmos a gravidade de cada uma das componentes, quer seja aumentarmos a gravidade do crime e/ou do castigo, pergunto-me qual seria a combinação dessas componentes que poderia fazer mudar de posição.
Isto leva-me a pensar que existem níveis de ambiguidade com que consigo conviver mas há um certo nível – não sei qual – a partir do qual a minha posição pode mudar.