Coincidências, fado ou destino

Destino, fado ou coincidência? Uma recusa a aceitar respostas fáceis.

Escapamos de um grande acidente por um triz e dizemos que foi o destino. Como de costume, a pessoa à nossa frente na fila leva o último frango assado e dizemos que é o nosso fado. No mais improvável dos locais, encontramos alguém que receamos ver e dizemos que é coincidência.
Quer aceitemos ou não, essas forças alheias surgem sem aviso nem consentimento, impondo-nos um destino.
Algumas vezes habituamo-nos ao que nos vai acontecendo e até chegamos ao ponto de dizer que esse é o nosso fado.
Crentes ou descrentes de forças superiores, que nos dão opções de caminhos, consideramos a possibilidade de serem coincidências.
Porém, pergunto-me se no final não se trata simplesmente do nosso caminho que, olhando por cima do ombro, é a nossa história.
A resposta vem em marcha acelerada.
Recuso-me a aceitar todas as dormências que me condenariam a beber água morna.
Nestes conceitos vejo servos da infelicidade. De braços flácidos, estão prontos para me apunhalarem entre as omoplatas e, de olhos melosos, nem de frente me olham. Deserdo-os sempre.
Irei reconhecer o meu destino na história da minha vida e o meu fado é, como diz a música, “não ter fado nenhum”.
Haverá coincidências? Deus queira que não.

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