Longe da multidão
Fujo das multidões e procuro lugares por descobrir. O que ganha a fotografia longe da confusão?
Viajo digitalmente entre vários países à procura de um destino de viagem e as imagens que me são oferecidas saltitam entre grandes cidades e monumentos ditos intemporais. Tudo isso provoca-me fastio.
Prefiro destinos autênticos e tranquilos, onde ainda se sente a essência do lugar e a fotografia ganha vida. Tenho cada vez menos interesse em visitar lugares massificados e as grandes capitais fazem parte desse conjunto. Saber que estarei entre magotes de turistas é algo que me desconcerta, seja o destino em ambiente urbano ou de natureza.
Ocupando um papel cada vez mais importante na minha vida está a fotografia e, para já, não encontro motivos de interesse em multidões. As caras parecem-me indistintas e as massas de gente representam um peso excessivo em qualquer fotografia. Nada respira. Em contrapartida, quando penso em viagens a locais que, por ainda não estarem tão descobertos, mantêm a sua originalidade, passo à ação.
Tenho consciência das dificuldades que estas preferências representam: o trabalho acrescido na procura desses destinos e o risco de, por serem locais menos documentados, a viagem acabar por se revelar uma desilusão. Contudo, nos locais menos conhecidos, apesar da ânsia de ir fotografar, consigo focar num ponto de interesse de cada vez, falar com pessoas e as histórias acontecem.
Neste ponto, com alguma graça, o motor de IA que uso para fazer a edição destes textos sugeriu-me escrever sobre a ironia de dar a conhecer, através da fotografia, locais que eu gostava que permanecessem desconhecidos.
Mas há algo que me faz pensar e para o qual ainda não tenho resposta: serão esses locais muito conhecidos que já não me interessam de todo, ou será que ainda não sei como os apreciar ou fotografar?