Canetas novas
Há um prazer quase infantil em estrear uma caneta nova. Uma reflexão sobre esse fascínio.
Escrever com uma caneta nova é um prazer intemporal.
Tirar a tampa, ajustar os dedos na posição de escrita e, finalmente, fazê-la deslizar no papel deixando-me invadir por uma agradável, apesar de estranha, sensação de concretização.
Dos tempos dos bancos de sala de aula até à idade adulta, não senti alteração, ainda fico sempre feliz por poder escrever com uma caneta nova.
Naturalmente que há canetas que, pelo seu preço astronómico, pelas suas características técnicas ou ergonómicas, sentirei o seu peso psicológico ao manuseá-las. Ainda assim, quer seja de uma esferográfica barata ou uma caneta de tinta permanente sofisticada, não é grande a diferença no agrado de ver as suas linhas transformarem-se em letras ou figuras.
Admito poder ser uma infantilidade, mas assim que tenho uma caneta nova, sem dificuldade invento o que escrever para a poder usar.
Sei que esta não é uma mania generalizada, mas, ainda assim, conheço muitas pessoas que partilham deste fascínio quase pueril.
Em relação a este preciso momento, alguns de vocês podem ter adivinhado o que se está a passar: estou a escrever as notas deste texto com uma caneta nova e adoro.